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Pertencimento

  • Foto do escritor: mayara bortolotto
    mayara bortolotto
  • 25 de nov. de 2022
  • 3 min de leitura

Atualizado: 29 de nov. de 2022

Pertencimento foi o assunto da apresentação de Alex Moseley no segundo dia da 2022 LEGO® SERIOUS PLAY® (LSP®) Global Meeting. Alex é Diretor de Ensino e Aprendizagem na Universidade de Anglia Ruskin, Cambridge, Reino Unido e facilitador certificado da metodologia LSP®. Ele falou sobre pertencimento na experiência dos estudantes universitários.


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Alex compartilhou as percepções de Vallerand (1997) e Goodenow (1993) sobre pertencimento: A nível individual o pertencimento reconhece os sentimentos subjetivos dos estudantes como relacionamento ou ligação com a instituição. Isto implica sentir-se ligado (ou sentir que pertence a um meio social). Pode se relacionar com o grau de aceitação, respeito, inclusão e apoio por outros estudantes no ambiente social da escola. (tradução livre)

O facilitador nos lembrou que através do LSP® é possível transformar o intangível em tangível. Falar de pertencimento utilizando os blocos LEGO® facilita a expressão das/os participantes e leva a reflexões profundas, já que se constrói um ambiente seguro para o compartilhamento durante o workshop. Penso que esse diálogo seria diferente sem os modelos 3D. Tendemos a nos esquivar de assuntos sensíveis como este. Mesmo quando encontramos espaços seguros, muitas vezes não sabemos como nos sentimos a respeito de determinado assunto e/ou nos falta repertório para nomear e compartilhar nossos sentimentos. O LSP® nos ajuda a contornar tudo isso e a acessar pontos significativos por meio da conexão mãos-mente e do storytelling.

Gostaria de estender a reflexão um pouco mais. Começo olhando para o caso das/os estudantes superdotadas/os e seus sentimentos em relação as instituições de ensino. Os relatos de não pertencimento e invisibilidade são frequentes por parte destas/es alunas/os, tanto nas escolas quanto nas universidades e não há uma abordagem eficiente para lidar com essa questão na maioria das escolas que conheço. Em segundo lugar, me parece que a situação se alonga até o mercado de trabalho, pois a maneira como muitas corporações estão organizadas atualmente gera um clima de competitividade, desconfiança e insegurança entre as/os colaboradoras/es. Neste cenário é quase impossível que encontremos o sentimento de pertencimento.

Segundo a Neurociência, um cérebro estressado e inseguro não pode desempenhar bem suas funções mais elevadas como a criatividade. Além disso, esgota os recursos energéticos mais rapidamente, já que acredita estar em real perigo e se coloca em estado de alerta. Levando em consideração a configuração atual de escolas, universidades e empresas, identifico um ponto de atenção. Como uma pessoa pode manter-se saudável quando passa grande parte do tempo em ambientes onde se sente insegura para se expressar e compelida a competir com as/os colegas? Onde há uma crescente quantidade de demandas que precisam ser atendidas e alta expectativa de produtividade constante? Diante deste cenário, é compreensível que muitas/os sucumbam a pressão, evadam escola/emprego, adoeçam e se percebam esgotadas/os, insatisfeitas/os e perdidas/os em algum período da vida.

Somos altamente afetados pelos ambientes que frequentamos e nas instituições de ensino há o agravante do caráter formativo. É nestes locais que a maioria de nós aprende como conviver em sociedade e como nos colocar no mundo. A configuração dos sistemas educacionais atuais não privilegia a formação de um cidadão crítico, seguro e autêntico. Pelo contrário, forma para o mercado de trabalho, o que causa sofrimento, baixa autoestima e estresse. Acredito que é possível transformar instituições de ensino e corporações em ambientes seguros, acolhedores e que celebram a diversidade. Ir além da provisão financeira e proporcionar espaço para que a autenticidade e pertencimento façam parte do ecossistema é essencial para quebrar o ciclo de esgotamento e ansiedade que tem atingido tantas pessoas ao redor do mundo. É urgente que os ambientes educacionais e corporativos se tornem mais humanos e sustentáveis.

A minha participação na 2022 LSP® Global Meeting reforça a certeza de que podemos fazer diferente. Para mim, e para muitos colegas, o pertencimento foi o sentimento mais presente durante a conferência. Eu já havia participado remotamente em 2020, quando apresentei o projeto voluntário Genius e pude sentir um gostinho de como era a comunidade, mas foi apenas este ano que pude vivenciar toda a experiência. Mesmo sendo a primeira vez que eu estava fisicamente na LEGO® House, me senti acolhida e integrada desde o início. Sei que isto fez toda a diferença na minha vivência em Billund e agora entendo por que este evento é tão especial para a comunidade. Um dos motivos que fazem a LSP® Global Meeting um evento tão poderoso, é o clima de cooperação, apoio e celebração dos colegas. Este ambiente facilita a elaboração dos conteúdos partilhados ao longo de dois dias de intensos e catalisa o aprendizado, tornando a experiência altamente significativa e profunda tanto profissional quanto pessoalmente. Investir na conexão intra e interpessoal proporcionando um ambiente seguro é um dos caminhos possíveis para a transformar instituições e empresas a se tornarem grandes agentes de mudança social.

 
 
 

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